Por quatro estradas eu fui
procurando o conhecer
e quatro janelas se abriram
a fingir o renascer.
Por quatro mares vaguei
sem ter onde aportar,
foram quatro, tantas portas
que no silêncio fechei.
Quatro miragens eu tive
julgando que revivia,
quatro, também, os cansaços
na vida que perseguia
e a seguir quatro sorrisos
pra com ela me encantar
de quatro maneiras diferentes,
ainda por inventar.
Foram quatro, quatro quedas
de um andaime por cumprir,
quatro vertigens no vácuo
por não ter onde cair;
desistência acelerada
por quatro rodas fatais,
num querer voltar sem ter asas,
em quatro vôos finais.
E quatro foram as lágrimas,
milhões de quatro, a sorrir,
bocas cansadas de água
de em quatro fontes beber
e, a temperar tanta mágoa,
quatro sais de resistir.
Foram quatro mil eventos
todos gastos, nos intentos…
Quatro estacas, quatro espinhos,
todos ferem, muitas matam
e das dores que resgatam
fica o detalhe mesquinho
em quatro memórias feridas,
à força de repetidas,
na celebrada insistência
de quatro escolhas perdidas!
Quatro por nada, uma vida,
que a viver não se contenta…
Ana Vassalo
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Fragmentos de Mim
Como gostava de dar-te a mão ao crepúsculo
viver a dois a viagem interminável do Amor
a busca sem fim do amante peregrino perdido na dor
o encontro inesperado com o vazio do trivial opúsculo
Quando o sol se incendeia lançando chamas
cujas faúlhas flutuam sobre o meu corpo nú
a minha alma chora pelo que não reclamas
o meu ser dissolve-se no meu desejo ainda crú.
A janela abriu-se e o crepúsculo entrou
a tua mão não entrelaçou a minha
Soçobrou-me um vento áspero que os meus lábios beijou
abracei-me velando o que não tinha
O teu silêncio alcançou-me frio e indomável
a tua ausência rodeou-me com tentáculos torpes, impassível
O tempo correu atrás do tempo, implacável
e no tempo morri a sonhar o meu amor invencível
viver a dois a viagem interminável do Amor
a busca sem fim do amante peregrino perdido na dor
o encontro inesperado com o vazio do trivial opúsculo
Quando o sol se incendeia lançando chamas
cujas faúlhas flutuam sobre o meu corpo nú
a minha alma chora pelo que não reclamas
o meu ser dissolve-se no meu desejo ainda crú.
A janela abriu-se e o crepúsculo entrou
a tua mão não entrelaçou a minha
Soçobrou-me um vento áspero que os meus lábios beijou
abracei-me velando o que não tinha
O teu silêncio alcançou-me frio e indomável
a tua ausência rodeou-me com tentáculos torpes, impassível
O tempo correu atrás do tempo, implacável
e no tempo morri a sonhar o meu amor invencível
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Uma Casinha Branquinha
Era uma vez uma casinha branquinha
assente na doçura de um solo fértil
Ao longe parece uma frágil pombinha
perto, um esquisso celeste em traço débil
Uma casinha emoldurada por árvores, céu e terra
pigmentada de pássaros, abelhas e mel
Iluminada por um sol que lhe borbulha na pele
lhe envolve a alma e a embala no silêncio da serra
De fora avista-se alegria, lá dentro habita o Amor
É abraçada por pontes que desaguam no ar
como ondas perfumadas pela brisa de uma flor
que se abre aqui e ali, espraiando pétalas que flutuam no mar
O Amor é uma casinha branquinha
assente na doçura de um coração fértil
irriga a terra que jaz mansinho
ressuscitando-a de um sonho unicolor e estéril
Era uma vez uma casinha branquinha...
assente na doçura de um solo fértil
Ao longe parece uma frágil pombinha
perto, um esquisso celeste em traço débil
Uma casinha emoldurada por árvores, céu e terra
pigmentada de pássaros, abelhas e mel
Iluminada por um sol que lhe borbulha na pele
lhe envolve a alma e a embala no silêncio da serra
De fora avista-se alegria, lá dentro habita o Amor
É abraçada por pontes que desaguam no ar
como ondas perfumadas pela brisa de uma flor
que se abre aqui e ali, espraiando pétalas que flutuam no mar
O Amor é uma casinha branquinha
assente na doçura de um coração fértil
irriga a terra que jaz mansinho
ressuscitando-a de um sonho unicolor e estéril
Era uma vez uma casinha branquinha...
domingo, 16 de agosto de 2009
Sete de Maio
O sol a nascer e o vento a cantar,
a aurora espreguiça-se sonolenta e terna
As flores sorriem, as árvores acordam a dançar...
é o amor em compasso lento numa jura eterna
É Sete de Maio de um dia etéreo
que se quer sorver de uma só vez
qual história encantada "era uma vez"...
porque é Sete de Maio de uma entrega viscérea
Nunca o rouxinol se espraiou no esboço
colorido de uma aguarela em alegro
Nunca o mar se ondulou sem esforço
sob um céu pincelado em libreto
O sol já se pôs e o crepúsculo engravidou
de lua inteira, nem nova nem cheia
O amor é agora sangue pulsando na veia
numa alma em dois corpos que Deus abençoou
a aurora espreguiça-se sonolenta e terna
As flores sorriem, as árvores acordam a dançar...
é o amor em compasso lento numa jura eterna
É Sete de Maio de um dia etéreo
que se quer sorver de uma só vez
qual história encantada "era uma vez"...
porque é Sete de Maio de uma entrega viscérea
Nunca o rouxinol se espraiou no esboço
colorido de uma aguarela em alegro
Nunca o mar se ondulou sem esforço
sob um céu pincelado em libreto
O sol já se pôs e o crepúsculo engravidou
de lua inteira, nem nova nem cheia
O amor é agora sangue pulsando na veia
numa alma em dois corpos que Deus abençoou
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Sonho de Verão
Sonho... a dormir ou acordado?
A dormir vivem-se histórias do arco da velha
acordado é grandioso, algo iluminado por centelha
É agitado mas aquieta-se quando despertado
Pode ser azul ou rosa
tanto faz desde que flua como uma sonata
seja suave e delicado como uma cantata
Como que afagado por mão divina e luminosa
Sonho... mas também pesadelo
ora sou um ágil herói
ou um vilão que tudo destrói
sem acordar para não perder o fio do novelo
Sonho... com o sabor do morango
e o aroma da framboesa
Sonho... como quem dança um tango
A aurora irrompe pelo quarto em penumbra
Desperta-me o sol e o vento
mas ainda é o sonho que o meu olhar vislumbra
A dormir vivem-se histórias do arco da velha
acordado é grandioso, algo iluminado por centelha
É agitado mas aquieta-se quando despertado
Pode ser azul ou rosa
tanto faz desde que flua como uma sonata
seja suave e delicado como uma cantata
Como que afagado por mão divina e luminosa
Sonho... mas também pesadelo
ora sou um ágil herói
ou um vilão que tudo destrói
sem acordar para não perder o fio do novelo
Sonho... com o sabor do morango
e o aroma da framboesa
Sonho... como quem dança um tango
A aurora irrompe pelo quarto em penumbra
Desperta-me o sol e o vento
mas ainda é o sonho que o meu olhar vislumbra
Loucura
Perdida no Vale Encantado da Loucura
os sonhos são desejos e os dois são iguais
Amores... são muitos, desilusões... são demais
A rainha é plebeia e o rei anão de armadura
Lá vivem os Loucos que amam por amar
Quando lá não estão, obcecados, vivem por viver
Amam sem parar e quando param é para amar
perdem-se amando-se... porquê sofrer?
Clamam por Deus... só o Diabo o soube
Aspiram a morte mas na vida vivem
gritam de dor... ninguém os ouve.
Misericórdia!... e os anjos... juntos a dormirem...?
Loucura? Insanidade? Maldição!
Alegria? Só no Reino da Esperança
Volúpia de mel? É só perversão!
Almas agitadas num frenesim de dança...
os sonhos são desejos e os dois são iguais
Amores... são muitos, desilusões... são demais
A rainha é plebeia e o rei anão de armadura
Lá vivem os Loucos que amam por amar
Quando lá não estão, obcecados, vivem por viver
Amam sem parar e quando param é para amar
perdem-se amando-se... porquê sofrer?
Clamam por Deus... só o Diabo o soube
Aspiram a morte mas na vida vivem
gritam de dor... ninguém os ouve.
Misericórdia!... e os anjos... juntos a dormirem...?
Loucura? Insanidade? Maldição!
Alegria? Só no Reino da Esperança
Volúpia de mel? É só perversão!
Almas agitadas num frenesim de dança...
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Fiona
Não sou a princesa Fiona e, se dissesse que sim, palpita-me que ninguém acreditaria em mim, mas gostaria de ser. O que gosto nela é precisamente ter o shrek como namorado. Gostava, acabou! Gostava de ter um namorado como o Shrek, terno, dedicado, generoso, corajoso e brincalhão... está bem... feio, porco, enorme e robusto, que fosse. Também gosto da Fiona, vá lá, gosto pois e, se fosse caso disso, também abdicava da beleza e seria dedicada, muito dedicada por um Shrek. Atitude nobre a dela.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
O Amor é Fodido
Já dizia o M. Esteves Cardoso e, apesar dos meus motivos serem diferentes, concordo plenamente, especialmente quando não se percebe nada sobre o assunto, que é o meu caso mas não parece ser o dele. Eventuais diferenças aparte, que para o caso não interessam nada, o facto a resssalvar é a minha total ignorância.
Um pouco perdida entre códigos e sinais contraditórios é melhor comprar uma bússola.
Nunca entenderei um homem!
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