Gostar do que gosta quem gostamos
ressuscita o sonho e glorifica a amizade
Amar o que ama quem amamos
vivifica o amor e aniquila a saudade
Renasce, renova, reconquista o coração
Do tempo e lama qual flor de lótus
É forte, seguro e intenso mas persiste em embrião
Invade e devasta como que por divinal opus
Amor ancestral pureza sublime
Criação original acima do bem e do mal
Vulcão em erupção lava o define
Corrente incontrolável em noite de temporal
Sonho longínquo peregrino perdido
Malmequer desenhado, flores à janela
Olhar esquivo, passo incerto, modo fugido
Rosto inexpressivo esboçado na tela
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
O Meu Cavalo Alado
Sonho meu nuvem de algodão
embala a alma que agoniza lentamente
Sonho meu rosa em botão
desperta a dor que flui suavemente
Sonho neu só vivido sonhado
gladiador do bem contra o mal
Sonho meu amor ardente cavalo alado
Príncipe das Trevas no final
Sonho meu cor da lava do vulcão
amargura errante folha ao vento
Sonho meu oceano em turbilhão
dor lancinante que domina o pensamento
Sonho meu arquétipo imutável
figura de estilo pleonasmo ou metáfora
Sonho meu paradoxo inolvidável
papiro cripto revelado em anáfora
embala a alma que agoniza lentamente
Sonho meu rosa em botão
desperta a dor que flui suavemente
Sonho neu só vivido sonhado
gladiador do bem contra o mal
Sonho meu amor ardente cavalo alado
Príncipe das Trevas no final
Sonho meu cor da lava do vulcão
amargura errante folha ao vento
Sonho meu oceano em turbilhão
dor lancinante que domina o pensamento
Sonho meu arquétipo imutável
figura de estilo pleonasmo ou metáfora
Sonho meu paradoxo inolvidável
papiro cripto revelado em anáfora
Emoções
Goteja na fonte teimando em secar
Irrompe em soluços subitamente
por vezes transborda ameaçando inundar
outras vezes é desferido subtilmente
Serve-se a frio ou a quente
mas é um prato de um paladar só
Quem o come muda de repente
quem o serve é uma pessoa só
Uma só cor, um só paladar, um só odor
Adiciona-se-lhe ironia e sarcasmo suficientes
é sorvido de uma só vez com fragor
Atitudes mesquinhas de pessoas pouco inteligentes
Verde é a cor, acre o sabor, enxôfre o odor
Dirigida a quem dela não padece
suscita dor e também algum rancor
por se destinar a quem não a merece
Se é merecida desengane-se quem a desfere
pois a obstinação é algo que não amortece
um coração cansado que talvez desespere
porque conserva o molde de um amor que não acontece
Irrompe em soluços subitamente
por vezes transborda ameaçando inundar
outras vezes é desferido subtilmente
Serve-se a frio ou a quente
mas é um prato de um paladar só
Quem o come muda de repente
quem o serve é uma pessoa só
Uma só cor, um só paladar, um só odor
Adiciona-se-lhe ironia e sarcasmo suficientes
é sorvido de uma só vez com fragor
Atitudes mesquinhas de pessoas pouco inteligentes
Verde é a cor, acre o sabor, enxôfre o odor
Dirigida a quem dela não padece
suscita dor e também algum rancor
por se destinar a quem não a merece
Se é merecida desengane-se quem a desfere
pois a obstinação é algo que não amortece
um coração cansado que talvez desespere
porque conserva o molde de um amor que não acontece
Sem Título
Rasga a noite de mansinho
odor pútrido e trajo de gala
Canto doce mão que embala
ar esquálido e coroa de rosmaninho
Ei-la que chega sem aviso
Mata a dor e também a vida
numa entrega desigual e indefinida
umas vezes sóbria outras sem siso
É poderosa e age sem argumentar
Engana o cristão mas também o pagão
promessas falsas para extrema unção
Persuade e seduz sem falar
Desponta por desejo ou atrevimento
Floresce na aridez de uma vida só
chamas sibilantes reduzindo a pó
cinzas veladas sopradas pelo vento
odor pútrido e trajo de gala
Canto doce mão que embala
ar esquálido e coroa de rosmaninho
Ei-la que chega sem aviso
Mata a dor e também a vida
numa entrega desigual e indefinida
umas vezes sóbria outras sem siso
É poderosa e age sem argumentar
Engana o cristão mas também o pagão
promessas falsas para extrema unção
Persuade e seduz sem falar
Desponta por desejo ou atrevimento
Floresce na aridez de uma vida só
chamas sibilantes reduzindo a pó
cinzas veladas sopradas pelo vento
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Quatro Silêncios de Mim
Por quatro estradas eu fui
procurando o conhecer
e quatro janelas se abriram
a fingir o renascer.
Por quatro mares vaguei
sem ter onde aportar,
foram quatro, tantas portas
que no silêncio fechei.
Quatro miragens eu tive
julgando que revivia,
quatro, também, os cansaços
na vida que perseguia
e a seguir quatro sorrisos
pra com ela me encantar
de quatro maneiras diferentes,
ainda por inventar.
Foram quatro, quatro quedas
de um andaime por cumprir,
quatro vertigens no vácuo
por não ter onde cair;
desistência acelerada
por quatro rodas fatais,
num querer voltar sem ter asas,
em quatro vôos finais.
E quatro foram as lágrimas,
milhões de quatro, a sorrir,
bocas cansadas de água
de em quatro fontes beber
e, a temperar tanta mágoa,
quatro sais de resistir.
Foram quatro mil eventos
todos gastos, nos intentos…
Quatro estacas, quatro espinhos,
todos ferem, muitas matam
e das dores que resgatam
fica o detalhe mesquinho
em quatro memórias feridas,
à força de repetidas,
na celebrada insistência
de quatro escolhas perdidas!
Quatro por nada, uma vida,
que a viver não se contenta…
Ana Vassalo
procurando o conhecer
e quatro janelas se abriram
a fingir o renascer.
Por quatro mares vaguei
sem ter onde aportar,
foram quatro, tantas portas
que no silêncio fechei.
Quatro miragens eu tive
julgando que revivia,
quatro, também, os cansaços
na vida que perseguia
e a seguir quatro sorrisos
pra com ela me encantar
de quatro maneiras diferentes,
ainda por inventar.
Foram quatro, quatro quedas
de um andaime por cumprir,
quatro vertigens no vácuo
por não ter onde cair;
desistência acelerada
por quatro rodas fatais,
num querer voltar sem ter asas,
em quatro vôos finais.
E quatro foram as lágrimas,
milhões de quatro, a sorrir,
bocas cansadas de água
de em quatro fontes beber
e, a temperar tanta mágoa,
quatro sais de resistir.
Foram quatro mil eventos
todos gastos, nos intentos…
Quatro estacas, quatro espinhos,
todos ferem, muitas matam
e das dores que resgatam
fica o detalhe mesquinho
em quatro memórias feridas,
à força de repetidas,
na celebrada insistência
de quatro escolhas perdidas!
Quatro por nada, uma vida,
que a viver não se contenta…
Ana Vassalo
Fragmentos de Mim
Como gostava de dar-te a mão ao crepúsculo
viver a dois a viagem interminável do Amor
a busca sem fim do amante peregrino perdido na dor
o encontro inesperado com o vazio do trivial opúsculo
Quando o sol se incendeia lançando chamas
cujas faúlhas flutuam sobre o meu corpo nú
a minha alma chora pelo que não reclamas
o meu ser dissolve-se no meu desejo ainda crú.
A janela abriu-se e o crepúsculo entrou
a tua mão não entrelaçou a minha
Soçobrou-me um vento áspero que os meus lábios beijou
abracei-me velando o que não tinha
O teu silêncio alcançou-me frio e indomável
a tua ausência rodeou-me com tentáculos torpes, impassível
O tempo correu atrás do tempo, implacável
e no tempo morri a sonhar o meu amor invencível
viver a dois a viagem interminável do Amor
a busca sem fim do amante peregrino perdido na dor
o encontro inesperado com o vazio do trivial opúsculo
Quando o sol se incendeia lançando chamas
cujas faúlhas flutuam sobre o meu corpo nú
a minha alma chora pelo que não reclamas
o meu ser dissolve-se no meu desejo ainda crú.
A janela abriu-se e o crepúsculo entrou
a tua mão não entrelaçou a minha
Soçobrou-me um vento áspero que os meus lábios beijou
abracei-me velando o que não tinha
O teu silêncio alcançou-me frio e indomável
a tua ausência rodeou-me com tentáculos torpes, impassível
O tempo correu atrás do tempo, implacável
e no tempo morri a sonhar o meu amor invencível
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Uma Casinha Branquinha
Era uma vez uma casinha branquinha
assente na doçura de um solo fértil
Ao longe parece uma frágil pombinha
perto, um esquisso celeste em traço débil
Uma casinha emoldurada por árvores, céu e terra
pigmentada de pássaros, abelhas e mel
Iluminada por um sol que lhe borbulha na pele
lhe envolve a alma e a embala no silêncio da serra
De fora avista-se alegria, lá dentro habita o Amor
É abraçada por pontes que desaguam no ar
como ondas perfumadas pela brisa de uma flor
que se abre aqui e ali, espraiando pétalas que flutuam no mar
O Amor é uma casinha branquinha
assente na doçura de um coração fértil
irriga a terra que jaz mansinho
ressuscitando-a de um sonho unicolor e estéril
Era uma vez uma casinha branquinha...
assente na doçura de um solo fértil
Ao longe parece uma frágil pombinha
perto, um esquisso celeste em traço débil
Uma casinha emoldurada por árvores, céu e terra
pigmentada de pássaros, abelhas e mel
Iluminada por um sol que lhe borbulha na pele
lhe envolve a alma e a embala no silêncio da serra
De fora avista-se alegria, lá dentro habita o Amor
É abraçada por pontes que desaguam no ar
como ondas perfumadas pela brisa de uma flor
que se abre aqui e ali, espraiando pétalas que flutuam no mar
O Amor é uma casinha branquinha
assente na doçura de um coração fértil
irriga a terra que jaz mansinho
ressuscitando-a de um sonho unicolor e estéril
Era uma vez uma casinha branquinha...
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